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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Identidade

Sou a mão que balança o berço
E alimenta os cães raivosos
Com os bebês de mães desconhecidas
Sou um homem sem nome
E sem rosto
Que amarga o desgosto de mil e uma despedidas
Sou aquele jovem entediado
Vivendo do estresse
E dos pequenos pedaços do meu passado
Sou a boca que te morde o seio
E as unhas que rasgam teu corpo nu
Na esperança de que um dia você me perdoe
Pelo mal que me fez
Sou o tapa profano em seu rosto
E a lambida despudorada na orelha
Apenas mais um louco fazendo o que dá na telha
Sou o pé que te chuta as malas
Ao mesmo tempo que corre pela escada
Um vulto que foge daquilo que fazes de mim
Sou a cobaia dos teus desamores
De mês em mês adorado, por estações
Depois deixado ao léu
Sou a saudade no teu peito
E espero ser um arrependimento de vida toda
Que quando eu fui aviso não fostes ouvido
E quando quis te ouvir você não iria falar
Sou um poeta sujo
Que melou os joelhos na lama escorrida da boca
Quando todos fizemos promessas vãs
Um poeta doente de corpo, sem alma
Que quer te ver para perder a calma
Mas fura os olhos para calar o pensar
Um poeta garoto, por nada, bem moço
Vivendo dos males
Morrendo do teu desamor

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