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sexta-feira, 6 de maio de 2016

Fósforos

Num bar onde todos os sonhos estão presos
Naquela rua onde perdi a paciência
No país dos impunes, pergunto sempre "o que nos une?"
De um mundo de cigarros acesos
Fumaça incessante do cinzeiro que fiz de consciência
Eu apago o fumo em brasa como quem quer calar a razão
As marcas e a borra do café tardio lembram-me os olhos tão meus
Eu fumo e trago
Trago as boas novas
E as notícias de que nada mudou no velho front
Bebo olhares de escárnio e um pouco de saliva
Bebo vinho barato enquanto um abraço cativa o medo
E se o medo volta, que a revolta não se vá
Eu vejo tua boca e me pergunto se ela encaixa na minha
Minha velha indecisão de não saber
Se o mundo encaixa ou se é em caixa
Ou se dá pra cobrar fair play num jogo sem juiz
Se num povo sem vontade dá mesmo pra ser feliz
Num bar onde todos os sonhos estão presos
Uma caixa de fósforos dá o tom flamejante que preciso
E eu trago com força, todos os cigarros roubados
Sabendo que nem toda a fumaça de uma vida
Vai esconder o meu olhar
E mesmo assim
Eu sempre soube que não daria pra fugir de mim...

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