quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
38 dias
o jogo transcendental do ego
perambulando por entre pensamentos
sobre o sublime fracasso do homem
em tentar compreender qualquer coisa
para além da palma de sua mão
as varizes nas pernas do tempo
e seus cabelos tingidos em algum
tom de loiro falso, a maquiagem borrada
na cara de desgosto por sua imensa
sabedoria inútil de setenta mil décadas atrás
vê mais quem está calado
até mais do que a velha esfinge esquelética
que joga sinuca com seu temperamento
baixo em algum fétido bar da lapa
de quinze mil infâncias de outrem
vísceras e sentimentos queimados
o resultado de dez mil anos de evolução
no reflexo do espelho de barbear
e no quinto andar desse apartamento
encruzilhadas que cruzamos sozinhos
em meio a essa carnificina de abutres
para no fim destas tardes alquimistas
secos de sede jogarmos os dados
com medo de perder o pouco que nos resta
carvão e tiros de paz nesta reconciliação
para pintarmos nossos rostos pálidos
tentando enxergar mais além do que a íris
talvez na profundidade rubra da alma
na esperança de encontrar o último
suspiro da doce sinceridade do amor.
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