o espaço é uma questão de ótica
e as abstrações banais do dia
só corroem meu relógio geográfico
que é ilusão atemporal de distância
porque ainda sinto o calor
daquele seu olhar jogado à mim
o escuro reverbera meus medos
que vão se desatando em fleches
que voam do arco desse pensamento
até o tortuoso sinal da minha pré-
rouquidão emocional de amanhã
folhas de papel são apenas folhas
em um tom branco pálido
que desfaz meu sentido, tornando-o
apenas exemplar da minha derrocada
de fronte à falta que sinto de suas
conversas nas noites densas de dezembro
minhas tentativas de traduzir algo
são sempre menores que a coisa em si
porque faltam palavras em meio à
combustão espontânea que rompe
meu coração - destruindo-o em meio
ao caos que já o tomou por completo
e as horas na madrugada são apenas
truques dos sentidos - que sentados
em seus grandes tronos decidem
quando é que um homem deve assumir
que está completamente perdido
de saudade de alguém.
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