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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Le mot juste

Livros e pedaços velhos
de folhas as quais já esqueci.
Todas plantadas na estante
como meros retratos
espantados dos dias
- os olhos esbugalhados
são as palavras deformadas
pelas contradições do nosso
quotidiano dissimulado

quanto tempo vale
um dia? e o seu segundo?
aposto que você não é capaz
de manter todas as memórias rígidas
por toda eternidade esbranquiçada
do nosso amanhã

e quando foi a primeira
vez em que você dançou?
assim, tão sem cautela
que nem percebeu que o momento
fora como tinta nas paredes do tempo
- garantindo assim sua vivacidade

queria que os serafins
sussurrassem palavras minhas
em teus ouvidos - para que
com seu encanto lírico
elas pudessem ser guardadas
por toda eternidade em seu coração

não me diga que o vinho branco
acabou querida e nem que
nossos sonhos foram transformados
em água - ainda é muito
cedo, o sol mal nasceu
e eu ainda não fui
dormir - fiquei

juntando as cenas
que faltam - para
pendurá-las na parede.

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