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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Opaco Tarkovsky.

Seu olhar era como poesia,
inviolável e indescritível
o retrato, a imagem perfeita
a claridade diante de seu rosto, o fundo negro
a oposição de tons que parecia revelar
- um anjo em plena queda

É incompreensível o modo com que
- a tristeza transforma as pessoas
o vazio desolador dos olhares incolores que
- se dirigem à lugar algum
a tosse seca que não trás recordações
a crise gerada, a delicadeza imensurável

Corpos dançando em meio a escuridão
- o tímido sorriso que dança solitário -
se curvando em diversas direções
em um auditório escuro
em que um grito pode ser ouvido através do tempo

A imagem, calada, estática,
mordendo segredos tristes,
o muro intransponível, que por fim pode revelar a alma
visões tão difíceis, complexas, duras de alcançar
rogam, sangram, caem de joelhos
visões, visões, visões...

Nota de rodapé: Poema escrito enquanto observava a seleção de fotografias "Polaróides" de Andrei Tarkovsky.

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