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terça-feira, 22 de abril de 2014

Versos do esquecimento

Hoje cedo escrevi uma poesia inteira
Mas não tinha caneta
Escrevi na cabeça e confiei
Que recordaria antes de chegar até à mesa de cabeceira
Mas quem dera eu lembrasse os versos
Sabendo que quem nos vê sós
Não sabe toda a história
Eu sei que as poesias nascem
Mas nunca morrem
Por isso vou te colocar
Um pouco em cada verso
E você será um universo
Contendo o meu mundo do avesso
E você nunca morrerá
Então fuja comigo
E vamos viver de poesia
E beber música
Até que o sabor das notas
Nos embriague
E fiquemos tontos
Vendo tudo inverso
Até ficarmos velhos
Vamos viver uma poesia
Escreveremos nosso caminho
Nas linhas mortas
Seremos imortais
Seremos até imorais
Se for preciso
Te escreverei do teu gênesis
Até o dia do nosso juízo
Na corte dos desajuizados
E eu sei que se chegarmos depois
Vamos ver sós
O que fizemos das nossas vidas
Sem nunca pedir desculpas
E sem repensar aquilo que nunca foi pensado
E os versos do meu esquecimento
Talvez sobrevivam ao passado

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