Está chegando o fim
De um daqueles dias
Em que algo te martela a cabeça
Enquanto o teu corpo esvazia
E já não dá pra esperar
Pelas estrelas decadentes
Só se pode cerrar os dentes
Esperando o inferno congelar
Está bem perto
É verdade
Há um fim do mundo
Em todo canto da cidade
Com seus cidadãos selvagens
Querendo te lançar num poço
E te prender
Com as pessoas que aumentam teu desgosto
Por isso mesmo
Preparei a minha fuga
Faça sol
Ou me molhe a chuva
E se eu olhar pra trás
Num ato de saudade desigual
Transformarei toda a cidade
Em estátuas de sal
Eu preservei minhas feridas
Em formol
Por que a ajuda
Está parada num farol
Onde os meninos brincam
Com o fogo de mão em mão
Pra tentar ganhar o troco
Do teu erro pagão
Apague a luz quando sair
E leve embora aquele espelho
Pois já me basta um de mim
Sussurrando pelo travesseiro
Mas antes de ir embora
Me responda com cuidado
Já que eu não conto os meus problemas nem pra mim
Por que iria dividir minha alegria
Com qualquer palhaço tendo um dia ruim?
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