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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Boca de poeta

Você é bardo
Mas não tem instrumentos
O vinho corre em tua veia
Enquanto você rouba a alma
Dos que passam por tormentos
E escreve com o sangue de quem vagueia

Poeta e trovador
Tu não merece o amor
De uma dama
A tua boca já andou por meio mundo
E despejou teus versos imundos
E o teu corpo já rolou em muita cama

Você roda as praças
E deixa a tua marca
Por onde passa
E há os suspiros
E os corações que remendastes
Só para partir de novo

A tua alma
É tripartida
E você toma três partidos
O teu coração é dividido
E você é pai e filho
Mas teu espírito nunca será santo

Você se apaixonou
Pelo espelho
E ganhou sete anos de azar
E vai pagar com a boca
E com a língua
Por causar tanto mal estar

Você poderia ser sábio
Se aprendesse com o erro alheio
Mas se diverte se machucando
E acertando a porta em cheio
Com a sua cara
De quem veio ao mundo a passeio

Escute aqui, jovem poeta
Você dorme com a porta aberta
Sem medo de alguém entrar
Pois sabe que é melhor
Um dia nesse mundo sujo
A uma eternidade na sujeira que virá

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