Ela não dorme
Desde ontem de manhã
E nos seus olhos
Dá pra ver o mar
E as promessas do amanhã
Ela sonha acordada
Com um mundo sem maldade
E ela pensa que pode
Ver o futuro e tudo mais
Olhando as sombras da cidade
E ela te levou
Até o jardim invisível
Das belas artes inacabadas
E te deu uma flor
Que você não pode ver
Mas você sabe
Que a flor tem algo de sagrado
E tem medo
De manchar o seu aroma
Com o cheiro do teu pecado
Ela tem um sorriso
Que te toca a consciência
E é onde dói
Onde você se culpa
Da falta de culpa
E você não sente nada
Só o vazio da tua inocência
Ela te dá calafrios
E você se arrepia
Enquanto pede clemência
De vez em quando
Ela se abre
Tal como flor
E abre a janela
E se divide
Com você
E com a luz dos postes
E você vê os teus defeitos
E os dela
E ela te vê como você é
E ela te disse
Uma coisa do passado
Mas você não se lembrava
Disso ou de mais nada
Mas ainda assim
Você sorriu
E ela acompanhou o riso
E por um tempo
Vocês foram como crianças
E infelizmente as coisas tem um fim
E então você
Fez tudo o que podia
Pra se livrar dos erros
E da luz do novo dia
Para que ela não ferisse os olhos
Mas o cansaço, como era de esperar
Te acertou em cheio
Quando você a abrigou embaixo da sua capa
Por que enfim a chuva foi embora
E você dormiu protegendo-a da luz
Mas ela foi embora
Sem fazer barulho
E você viu que a casa dela
Não passava de entulho
Num bairro abandonado
E quando você acordou
Vários dias haviam se passado
Mas ainda dava pra sentir
O cheiro das flores invisíveis
Num jardim intocado
Nenhum comentário:
Postar um comentário