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terça-feira, 1 de abril de 2014

A primeira vez

Quando eu te encontrei pela primeira vez
Pensei em mudança
Coisa de tolo e estupidez
Não vi que somos apenas crianças
E agora eu sei
Que é fácil vestir uma camisa
Sem pensar no que diz a estampa
Nua
Na rua
Andando na contramão
Fogo contra fogo
É fátuo
É de fato
Um convite à destruição
Mas de joelhos
Oravas aos meus pés
E eu te abençoava
Com minhas palavras de heresia
E apagava o teu fogo
Com baldes de gasolina
Pequena menina
E é verdade que ao som do silêncio
Fizemos a vigília
E suamos os pecados
Mas nunca alcançamos o perdão
E escondidos pela sombra
E pelo teto
Fizemos do nosso credo
Uma nova cruz
Enquanto fugíamos do inquérito
E da inquisição
E à primeira vista
Não éramos nada
Além de atração para turistas
E fugimos da fogueira
Pedindo proteção
Ao nome do Pai
Enquanto repetíamos as ave-marias
Saindo do nosso confessionário
Onde contamos o conto do vigário
E fomos feitos santos
Sem precisar de milagres
Ou de qualquer coisa assim
E ainda lembro da tua cara no espelho
Enquanto você fazia as contas
Para por no teu rosário

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