Escreveu em muros,
Em murais,
Desenhou retratos,
Mundos imorais,
E jogou fora a TV
Para parar os comerciais,
Para vender o peixe,
E ensinar a pescar,
Escreveu em cadernos
E livros de receita,
Receitou-se uma dose,
Deixou cozinhar em banho-maria,
Cortou os cabelos,
Os belos cabelos,
Para fazer um colar de contas,
Fez as contas,
O mundo era mesmo assim,
O mundo era mesmo um lugar tão ruim,
Lavou o rosto,
Deixou de fora todo o desgosto,
Já não era agosto,
Pintou em quadros,
E nas folhas dos jornais,
Usou todas as cores,
E fez as mais belas flores,
Desse plano de mortais
E sorriu,
Então sorriu e gargalhou,
Vestindo o pijama,
Que ela costurou,
Com os mais belos versos,
Repletos de emoção,
Mas não dormiu,
Tinha medo do mundo lá fora,
Deitou e encarou o teto,
No relógio a marca da hora
Havia um tempo que ele fora embora,
E muito embora fosse assim,
Sabia ser em boa hora
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