um caco de vidro
na janela do amanhã
estilhaçado e rompido
dos nossos sonhos
amordaçados e retalhados
um pó ou uma estigma
de tudo aquilo que um dia
deixaremos de ser
nada mais do que
reflexos dos nossos atos
meros ecos
de tudo que fizemos
como o som
daquela canção
cantada por nós
se dispersando no tempo
esvaziando nossas mentes
de toda realidade
física e palpável
para transformar
tudo em um mero
delírio antropomórfico
nossos santos e
demônios sentados
à mesa para jantar
discutindo ferozmente
os pratos sendo
jogados contra às
paredes do nosso
coração frágil
talvez tenham
esquecido de dizer
ou de anotar
mas ainda somos
apenas crianças
com medo
da chuva
lá fora.
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