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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

vielas sujas são só vielas

sensatos lábios não se fecham,
beijam, beijam o que acreditam
que devem beijar - soltam-se em línguas
em bocas alheias e discursam
discursam sobre a vida e a existência
pesada, grossa - difícil de compreender

deus e a chance da vida
o contato com o que é celestial
com o sobrenatural - que é o blues
que é a natureza e o ar e o fato
da terra ser uma simples porção de rochas
com vida nela - e puta que pariu
isso é maravilhoso, sabe?

e os poetas que se perdem
que vomitam em vielas podres de são paulo
que se recuperam no outro dia
em ressacas intermináveis de café
- vamos, vamos descer a augusta
e festejar um pouco ao som de coltrane
ao blues incansável das noites intermináveis
da nossa memória - eu vi ginsberg
eu o vi essa manhã em uma janela vazia
seu rostro triste - eu vi o fantasma!
hallelujah estamos vivos!

ah! se entreguem aos amores
se entreguem aquilo que é natural
vamos, a vida não é só um jogo mortal
- a chuva também vale a pena
e os dias chuvosos nos lembram
nossos amores - nossos sentimentos
garota, quero sentir seu corpo junto ao meu

vamos se entreguem, se rendam a vida
não se façam de difíceis, a vida é isso
é o que há, não adianta fugir,
estamos repletos dela!
sintam, cheirem o ar limpo - a brisa fresca
tudo que nos resta é o que nos envolve
o que nos mantem vivos!
a existência é isso
somos o que fazemos de nós mesmos!

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