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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Veneno

Bebi teu veneno com as portas fechadas
E abri janelas, para enxergar teus olhos profundos
Tão profunda era a minha solidão
Bebi teu veneno, mas não morri
Por que o meu, produzido em palavras
Pode ser bem pior
Bebi teu veneno
E você retornou ao pó
Pela fechadura eu vi que a maçã
Não era de belas adormecidas
Era de dores entumecidas
Geradas por bocas umedecidas
Em pecados originais
Eu te joguei as chaves
E me aprisionei nas tuas dores
Tua língua me contou os horrores
E minha boca quis dar a solução
Pois somos insolúveis
Sem mim você é você
Eu sem você, sou eu
E somos sós em nossos mundos
Meu coração não é tão profundo
Mas cabe você e teu veneno
Pois quero manter o teu erro junto ao meu
Por que não gosto do cheiro da morte
Eu gosto da minha má sorte
E do carma que se apresenta
Na ponta do teu nariz
Eu bebi teu veneno
E engoli o meu que não valia compartilhar
Estou por um triz
Você sente que não merece o meu mais profundo cuidar
E eu já não sei como te convencer
A retornar à minha prateleira
E dividir nossa solidão
Na minha sala de estar

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