uma cabine, uma casinha em meio ao mato
com pó sobre os móveis de centro
onde canecas velhas estão depositadas ao nada
esperando alguém para consumir seu conteúdo
de vazio e gotas de café quase secas
uma velha árvore retorcida pelo tempo
o sol nascendo e se pondo todos os dias
durantes séculos intermináveis
na velocidade do som
quebrando nosso corações
e o marcando com um canivete
as velhas esburacadas estradas de terra
que cruzamos todos os dias
para vencer nossa rotina tediosa
e o impaciente jogo do relógio
que pende hora à esquerda hora à direita
um cansado cão pastor
que aguarda com afinco melancólico
o retorno daqueles dias de verão
que o sol brilhava para todos
e seu dono não era só
um velho beberão de uísque barato
a festinha da igreja em frente a praça
os pombinhos a dançar vestidos em ternos dominicais
a pipoca jogada em sacos vazios de papelão
o borbulhar de sorrisos doces e rosados
nossos olhos entrecruzados
no vitalício passado que nunca nos abandona
memórias como fotografias espalhas por estantes
e o hoje como uma taça de vinho tinto
ou como pó soprado de suas mãos
para deixar-se levar ao vento
na direção que a existência apontar.

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