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domingo, 2 de novembro de 2014

no interior de nossas almas.

uma cabine, uma casinha em meio ao mato
com pó sobre os móveis de centro
onde canecas velhas estão depositadas ao nada
esperando alguém para consumir seu conteúdo
de vazio e gotas de café quase secas

uma velha árvore retorcida pelo tempo
o sol nascendo e se pondo todos os dias
durantes séculos intermináveis
na velocidade do som
quebrando nosso corações
e o marcando com um canivete

as velhas esburacadas estradas de terra
que cruzamos todos os dias
para vencer nossa rotina tediosa
e o impaciente jogo do relógio
que pende hora à esquerda hora à direita

um cansado cão pastor
que aguarda com afinco melancólico
o retorno daqueles dias de verão
que o sol brilhava para todos
e seu dono não era só
um velho beberão de uísque barato

a festinha da igreja em frente a praça
os pombinhos a dançar vestidos em ternos dominicais
a pipoca jogada em sacos vazios de papelão
o borbulhar de sorrisos doces e rosados

nossos olhos entrecruzados
no vitalício passado que nunca nos abandona
memórias como fotografias espalhas por estantes
e o hoje como uma taça de vinho tinto
ou como pó soprado de suas mãos
para deixar-se levar ao vento
na direção que a existência apontar.


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