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sábado, 25 de outubro de 2014

Peça "vida" - ato "18".

Toda peça só começa
quando se fecham as cortinas
quando a maquiagem borra
quando a festa acaba
quando já não resta nada no copo
as peças não podem ser encenadas
e cada erro é uma derrota
e cada derrota é ferida aberta
e o tempo não cicatriza

As cenas não voltam
para serem melhor representadas
o que resta é apenas cada movimento
e a tentativa de captar
com olhar único todos detalhes

Cada peça é única
e vê o público de um jeito único
escolhe por exemplo
quem pode entrar em seu camarim
ou se sentar bem à frente, na primeira fila
onde uma vaia pode ser escutada mais fatidicamente

Cada peça confessa uma delicadeza
embrulhada em forma de metafísica
como sendo conteúdo subjetivo de uma existência
tudo isso é complexo demais
para ser capturado por um simples retrato

Toda peça confecciona seus atos
e pode tomar rumos inimaginaveis
mas é bom que os atores que circulam
pelo palco sob os holofotes saibam disso
para não se deixarem cair no tédio
e acabar em um final clichê

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