Moça,
Somos todos veteranos de uma guerra civil
Entre pequenos mundos
E de vez em quando
Você vive e morre
E luta ao meu lado
Outras tantas, tantas vezes
Em tantos amores escritos nas paredes
Você pega suas armas
E dispara contra mim
Em minha defesa
Eu me atiro em ti
Há um encontro
Que se desfaz
Pois nada se toca de verdade
Em suma, tudo se repele
E tudo se lança
Num relance
Lanças em mim o teu cheiro
E teu perfume
Por que o mundo sempre em guerra
Tem cheiro e consistência de chorume
Moça,
Somos ambos tão marcados pela guerra
A maior que já se viu
E nossos olhos estão turvos do sangue
Do coração que nossa guerra partiu
Ainda bem
Que vez ou outra
Você está ao meu lado
E me cura as feridas
E procura os pedaços
Da minha memória dispersa e partida
Eu tão inválido
Você tão valiosa
E nós dois, por fim,
Tão merecedores de tudo e nada
Nada de bom virá
Se a guerra não tiver um fim
Tudo de ruim
Já acontece
Por que nós estamos perto
Mas eu não deixo que cuides de mim
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