Ato I.
Seus olhos eram púrpura
e você estava louca
te conheci sozinha
numa fria rodoviária
eu estava com medo
e então você me segurou
bem apertado pelas mãos
disse que tudo podia ficar bem
e bem que ficou
O tempo passou e você jurou
sorrimos e choramos
houve dias em que desistimos
e nos jogamos à cama
por toda tarde
a cabeça cheia de sonhos
e no coração nossos medos
Quando você ficou fora de si
eu queria estar ali
mas você se cortou e gritou
e o chão caiu para nós dois
sua paranoia assustadora voltou
batendo à porta sem ser convidada
Idas e vindas,
nós viajamos e você sumiu
procuraram por ti
e quando voltei pra cidade
tu não sabia mais onde estava
toda sua felicidade
conheceu um cara
e me disse estar confusa
eu me perdi em um quarto escuro
dores por dores
elas por elas
Fui atrás de ti
pedi uma chance,
como jamais fiz à alguém
eu te amava e sabia disso
você prometeu pensar
Me ligou no dia seguinte
toda triste, com a voz suave,
perguntando o que é amar
eu lhe disse que era
exatamente o que eu sentia por ti
e você disse que talvez me amasse
vai ver só foi outro delírio
assim como no dia em que me pediu
pediu para te ver, e eu fui
cruzei a cidade sem medo
e te encontrei no teu recanto
seus olhos e os meus combinaram tanto
que eu podia fazer uma musica só pra eles
você me deu um dia contigo
e eu te dei tudo que sou
pensamos e brincamos
você cantou e me encantou
senti teus lábios enfim nos meus
me enganei.
Ato II.
Dias depois tu disse que preferia ele
e me esqueceu, eu tentei não pensar,
nem em você, nem na sua voz,
fracassei, joguei sujo comigo mesmo
apostei errado e perdi tudo que era
Estive sozinho por meses
e me perdi nas ruas
do centro da cidade à noite,
bêbado e procurando teu rosto
em cada um na multidão
Tive dores e maturidade
escrevi mais do que nunca
até repetir e repetir
sem sono na frente do papel
canetas e rabiscos
Você se lembrou de mim,
mas estava com ele
e feliz me contou como se sentia
como se eu fosse teu amigo confesso
mas na verdade só era um amante quebrado
Sabia que não ia voltar,
então decidi nem me importar
algum tempo depois você sumiu
e já nem doía tanto assim
por isso não me importei
O tempo passou
conheci sorrisos e olhares de outras,
bocas das mais variadas formas
pensei ser feliz e fui
mas dia desses tudo acabou
então me lembrei de ti,
ora não sei por que
afinal, já faz quase um ano
Ato III.
Layla o que você está fazendo?
por onde anda?
pensei demais em ti,
talvez quando sozinho
a gente pense em coisas que não devia,
como eu penso em você agora
e você nem se lembra de mim
Doí no coração saber
que apenas passei na tua vida,
não fui daqueles que deixa uma marquinha
pra ser lembrado depois meio que sem querer,
nem tive chance de ficar pra um café
me fui logo pela porta dos fundos
ganhei a rua e você nem olhou pela janela,
tentando me acompanhar delicadamente
com os olhos fixos em tom de despedida,
apenas sai enquanto você recebia nova visita,
mas quem sabe um dia eu não te deixe uma carta
embaixo da porta, selada, apenas dizendo:
"oi, bobona".
Nenhum comentário:
Postar um comentário