Numa esquina
Banhado à luz da lua
Um violão chora
Num descompasso
Mas violões não sentem dor
E a cada tom
A tonalidade desse amor
Se faz visível
Como se o som tivesse cor
Como se a cor tivesse gosto
Amargo
E enquanto os dedos
Brincam com as cordas
A alma se enforca
Leve como pluma
Leve embora esse calor
E o autor dessa canção
Sabe que não é bem uma de amor
Mas quem escuta
Nunca é capaz de adivinhar
Oh, não
Quem escuta sente a dor
Mas se apaixona
Pois não é a dor de quem sofreu
É só a dor de quem se arrepende
Por tudo o que não viveu
E bem distante
No oceano inabitado
Mora a sereia de nome Pecado
E não é história de pecador
Se você pensar
Que o poeta odeia
E ainda assim
Te lisonjeia
Falando de amor
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