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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Horas à fio.

Carros na rodovia, sirenes no centro da cidade
pessoas caminhando, pessoas sorrindo sentadas
vidas calorosas, olhares cruzados por todas as partes
eu aqui em frente à janela, as luzes lá fora
sede em minha boca, me pergunto, onde está você?

Não sei se realmente quero saber, mas fico tentado
não que eu realmente mereça voltar a sofrer por isso
as vezes é bom saber que lhe esqueci,
é tão confortável ficar da forma com que estou
que nem me imagino te ligado qualquer noite dessas
mesmo por que, apaguei seu número da minha agenda,
sorte minha, por que se não, já tinha ligado, ficaria mudo
apenas ouvindo sua voz dizer: "alô?"

Repetiria isso toda semana, talvez em dias diversos
em horários trocados, bem sem querer,
de manhãzinha quando ainda estivesse com a voz rouca
vestida em seu pijama cor-de-rosa,
ainda bem que me esqueci de me lembrar de seu sobrenome,
mas o resultado dessa confusão é que ainda lembro do seu rosto

Poderia te escrever uma carta, e envia-la no correio
mas não tenho coragem, vai ver nem é isso,
vai ser só esqueci qual era seu apartamento,
e combinações de ruas e números
não formam nenhum endereço

Não sei, meu medo é que dia desses eu abra a janela
e comece a te chamar, na esperança de você ser capaz de ouvir,
mas com tantos carros e sirenes e pessoas caminhando e conversando
e rindo e algumas até chorando, acredito que só será mais uma tentativa inútil
fico então, com o que restou do som da sua voz gravada na minha memória.

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