Noite passada
Enquanto revirava velhas roupas
Encontrei uma carta
E um fio de cabelo que quase não consegui enxergar
É engraçado como as coisas se escondem
E aparecem quando não queremos encontrar
Agora aqui, sentando no banco
Tento passar em branco
Tudo o que era pra ser e nunca mais será
Relendo a carta três vezes seguidas
Em cinco minutos ou menos
Esperando que algumas palavras mudem
O que está escrito
E o que ainda não se escreveu
Noite passada
Eu olhei o fio de cabelo
E lembrei de quando o roubei
Da tua longa cabeleira
E guardei com carinho na carteira
Pretendendo esconder num cofre de banco
Na esperança de que ninguém fosse me roubar
pra ter cem anos de perdão
Segura a minha mão
Que eu sou imperdoável
E me abençoa
Com teus deuses
Que eu sou cheio de pecado
Noite passada
Eu olhei algumas antigas fotos
E pensei
"legal, que ela já foi minha
mas eu não sei ser dono
nem da minha vida,
quanto mais, ser dono de alguém"
E revirei todos os álbuns
Acariciando as fotos e pensando
"interessante, que ela tão bonita
e tão bonito que a gente se gostou
mas eu não gosto do gosto do desgosto
aqui do fundo do poço
eu não posso desgostar"
E hoje de manhã eu acordei
Com o telefone tocando
E no caminho tropecei em alguns presentes
Que me recordaram da vontade latente
Que até hoje todo mundo tem
Meu bem querer
Bem me quer
Bem me tem
Se eu te coloco pra preencher um vazio
Ficarei ainda mais frio
O teu vazio não vai me completar
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