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sábado, 23 de novembro de 2013

Um violão, uma vitrola, um rádio... Um nada pra dizer

Se eu disser que posso por uma música,
E te provar que ela não diz o que parece,
Me faça uma prece, então, e vamos supor,
Que algumas canções falem de amor,
E outras falem de todo o resto,
Se eu disser que passo por uma rua,
E vejo as portas e paredes, vejo a calçada nua,
Vejo a calça jeans,
Que você usa como quem não quer mais andar,
Então me viro devagar como se estivesse sem dor,
Num passo que muitos jovens usam,
Na tentativa de impressionar o túmulo,

Mas nas rádios eu já ouvi dizer,
Então retire este sorriso de notícia nova,
E não vale usar os olhos,
Não me julgues com fome,
Há o risco de me devorar,
E assim, contaminar teu ventre com meu sarcasmo,
E por pra fora vômitos de ironia,
Não me julgues com olhos fartos,
Imagine se você consumir o meu cansaço,
E ficar fria como a água da manhã,
Pode acabar usando o meu agasalho de melancolia,

Então eu posso te firmar em livros de história,
E te contar verso por verso uma canção que trago na memória,
Daí, de pouco a pouco vou fazendo você entender,
Que certas melodias tratam de sentimentos puros,
E outras tratam de tudo o que não passa ao redor dos teus muros,
Nossa guerra é superada todo mês,
E se eu fosse religioso, traria os meus livros sagrados,
E cantaria aos céus e ao mundo
Que tudo tem uma hora de acabar
E ainda assim eu te faria uma aliança
E juraríamos sabedoria eterna ajoelhados num altar

E eu estou tomando coragem pra dizer
Aquilo tudo que ninguém mais diz
Ah, mas você não sabia,
É no pessimismo do mundo que encontramos o otimismo do dia a dia,
O mundo é feio,
É um espelho da nossa situação geral,
E se eu pegar um violão,
Mesmo sem saber tocar,
Vou te dizer que a vida é isso,
E pior que isso,
Só dois disso ao mesmo tempo...

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