Eu fico assim...
Vendo você mas ninguém quer comprar,
E não posso te guardar numa gaveta,
De algum móvel da sala de estar,
Tu que não me prende,
E não me deixa voar,
Eu que te sigo,
Me escondo se você quer me encontrar,
Sou incapaz de por os dedos em tua pele,
Na grande era digital,
São tantos medos, tantos pudores,
Eu observo até demais
Enquanto os pixels se alinham
Enquanto os códigos me dão a ilusão
de que estás perto
Ficas assim...
Bem do meu lado,
E eu aqui desesperado,
Fico bêbado,
Descompassado,
Espero teu perdão para poder melhorar,
Fones de ouvido que executam a melodia da vida,
Em cada linha encontro um fato sobre mim,
Vende-se um disco novo ali na esquina,
E eu fico vendo os compradores pedindo sem fim,
Continuo andando e pensando na piada,
Aquela que eu conto e não encontro,
Eu quero um tapa na cara pra sobreviver
Passo ao longe e você me vê,
Talvez o bom da vida seja não viver,
Ou nunca nascer...
O sofrimento é passageiro,
Por que não quer passar,
Assim ele é contrariado por inteiro,
É assim que a vida é?
Dirijo essa pergunta inteiramente a você
Ah, você...
Eu só esperando a hora em que vai embora,
Só por que não tentei te segurar,
Minha mania de transformar tudo numa tragédia anormal,
Mas juro que não tentarei mudar,
Só vou me afogar um pouco no teu olhar,
Tens olhares turvos,
Tão indiscretos,
Tão indiretos que topam alguém pelo caminho,
Ah, você...
De riso mudo,
A passos surdos,
Eu me mudo para o seu mundo
De onde você fica me vendo,
Quando eu me vendo,
Pra quem quiser me colocar,
Numa gaiola, ou numa gaveta,
Até debaixo do tapete da sala de estar
(23/08/2013)
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