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domingo, 17 de janeiro de 2016

Gato molhado

Nas noites de chuva o telhado fala comigo em código morse
Eu certamente não passo de um gato molhado
A chuva caindo me acalma
Quando o sol nasce eu bato palma
E a luz beija a copa das árvores
Como um primeiro beijo de amor, mais uma vez
Nas noites de frio o vento suspira em meus ouvidos
Ele me diz algo que eu já sei antes de ouvir
"O mundo é uma grande caixa de areia"
É a permissão que eu preciso pra fazer merda por aí
Como os tantos gatos trepando as paredes
Como qualquer trepada sem razão
Quem sabe, sabe
Quem sabe, não entende
E quem entende agradece o não saber
Nas noites quentes o suor solitário diz em pequenos sinais
Que eu sempre digo o que você quer ouvir
Que eu sempre digo o que você quer
Mesmo que não seja o que eu quero de você
E a luz beija a copa das árvores
Como nosso primeiro beijo de amor, mais uma vez
É o sinal que eu preciso pra uma trepada sem razão
Mas só depois que o seu olhar me der a permissão
Que eu preciso pra não me culpar por ir embora
Embora eu não precise da culpa pra ir
E nas noites tristes a insônia me ensina os caminhos da memória
Eu lembro o primeiro beijo de amor, mais uma vez
E mais uma vez eu desejo chuva pra sempre
Que eu sempre desejo não ter mais que ver o sol
Que eu quero que a chuva arranque as árvores
Desejo que o vento me leve o teto de vidro
Desejo teu sopro no pé do ouvido
E a sensação de um suor sozinho entre nós dois

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