Eu que sempre me gabei de não cometer erros
Parei por ali e li os comentários
Vi as imagens que meus olhos teimavam em tentar esconder
Se nem meus olhos queriam ver
Não havia motivo pra tentar lembrar
Aquele tempo em que você vinha de zelo
Do meu peito contava e arrancava os pelos
Da cabeça acariciava os cabelos
E com os fios das nossas vidas
Trançavas os planos
Eu que sempre me gabei de não voltar atrás
Tentei fazer mais tarde o que eu quis e não pude ter mais cedo
É que antes você teve medo
Mas hoje sei que é puramente covarde
Não poder te cobrir de ódio arde
Não poder te cobrir de beijos... Não faz alarde
É que algo mais que o puro suor e cheiro de sexo
Se perdeu
Em mim, que sempre me gabei, a vontade de brigar
Morreu
Entenda que um homem mau cortou minha perna
E eu tentei produzir outra com tua cara de pau
Mas não deu certo
Então deixa eu
Que sempre me gabei do meu sorriso, quando perto de você
Hoje tenho a cara dura
Antes, durante e depois de beber
É que eu vi meus olhos tristes no gargalo da garrafa
E você sabe, sempre soube
Eu sempre disse
Que os olhos sempre dizem as verdades
Que os dentes se ocupam de esconder
Eu que sempre me gabei de sempre ver todos os lados
Hoje evito olhar pro lado de onde você pode vir
Que já me basta quando você vem em sonho
E já me basta quando sonho que você vem
É que eu não quero
Que eu não gosto
De perceber que esqueci o gosto
Que você tem
Logo eu que sempre me gabei de ter boa memória
Sempre lembro as coisas boas bem mescladas com as ruins
E é aí que tudo parece tão errado
Como se fosse destinado a terminar antes do fim
Eu que sempre me gabei de ser tão bom de briga
Fico espantado de deixar que a tristeza bata em mim
E ainda assim eu não sei se quero que você me bata à porta
Pra que eu te mande pra longe por querer te deixar perto
Ou que eu te deixe perto mesmo sentindo estar tão longe
Sempre longe
Você sempre foi longe muitas milhas quando eu vim
E eu afundei vinte mil léguas
Quando você se mostrou o livro que eu tentei
E nunca li
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