Páginas

terça-feira, 23 de junho de 2015

Garganta

Eu me limpei dos meus demônios
Eu garanto, querida
Ou talvez eles tenham se limpado de mim
Bebendo sangria eu me livrei do teu sangue
O teu sangue se livrou de nós
E nós nos livramos de tudo
Louvamos tudo abençoando um pedaço de dor
A dor, se tu não sabe, é sagrada
E seria um sacrilégio, heresia
Tomar um analgésico pra viver em letargia
Então vem fundo, que eu não sei onde vou
E vem comigo, que eu te sigo pro castigo
Nossos nomes entalados na garganta
Que devolve com o carinho de cavalos de corrida
Toda a minha dor misturada com bile e bebida

Nenhum comentário:

Postar um comentário