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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sangue

Houve, enfim, aquele tempo
Em que eu, tão meu
Me fiz tão seu
Só pra rever
Os velhos hábitos
Formando novas e profundas feridas
Mas, querida,
Não te digo isso como castigo
É só a verdade que tenho hoje
Enquanto me pergunto o por quê
De escrever por impulso coisas sem sentido
De escrever por tanto tempo, até perder os sentidos
Mesmo sabendo que nós somos
Sim, nós somos
Nada mais que o sangue dos nossos corações partidos
Nós falamos e acreditamos
E prometemos coisas
Que provam que não podemos provar
Com atos...
Aquilo que surge em palavras doces
E não podemos cumprir
Tantas promessas feitas em frases compridas
Sussurradas em ouvidos que não sabem escutar
Vivemos crises
De riso em tempos de guerra
E doamos sangue
Já que não conseguimos, de verdade,
Nos doar...
Eu bem sei que você se doa
Doa a quem doer
E dói em mim
Bem mais do que eu conseguiria sangrar...

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