Estou abaixado, com a cabeça entre as pernas
me protegendo da bomba atômica!
Estou faminto, me sento ao lado de mendigos
nas escadas vazias de uma praça qualquer.
Estou surdo, enquanto escuto o clarão brilhante
e a fumaça se dispersando no ar.
Estou com uma empatia dolorosa,
grito pelas liberdades alheias!
as liberdades alheias! as liberdades!
Oh empatia, por que faz isso comigo?
Por que me faz desconfiar das revistas financeiras?
E do livre mercado?
Enquanto todos são tão bons e têm sorrisos tão agradáveis?
Por que empatia, por quê?
Por que me faz ficar acuado feito um cão que mostra os dentes?
Diga me empatia, quer me ver louco?
Quer me ver por ai cantando a internacional em praça pública?
Não acha que isso seria um tanto ruim para minha imagem?
Não acredita que um homem como eu deva procurar o sucesso?
Um homem de profissão, um homem sério, é isso que querem que eu seja!
Oh empatia, por acaso pretende me abandonar quando eu estiver só e nu?
Quando minha barba já for branca e meu cabelo grisalho?
Quando eu chegar a idade da razão?
Pretende me trair empatia?
Ou posso confiar solene em você?
Será que realmente somos irmãos empatia?
Ou vives de uma promessa falsa?
Posso confiar em você? Como já não confio neles?
Oh empatia, me diga, me diga, ainda há espaço para acreditar?
Por fim me calo assistindo a chuva radioativa
enquanto o pó de esqueletos passados e de outros sonhadores
se dissolve no ar de uma manhã fria e silenciosa.
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