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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Cão.

Semana passada enquanto tomava café
e via os aviões desenharem coisas no céu
deixando aquele rastro branco entre as nuvens
naquele momento eu pensei em você

Não fazia tempo que não pensava,
o problema é que sempre me vejo com um nó
atado a você, amarrado, como um pobre cão,
desses que vemos correndo para longe da corrente
e então esta o puxa de volta com um pesado tranco;

E você, você não tem nada a ver com isso
não tem que ler estas palavras,
nem se quer precisa demonstrar alguma preocupação,
você não é de forma alguma como uma corrente,
mas isso não faz que eu não seja como um cão

Aí chegam estes dias frios
nos quais eu sempre dou um jeito de sentar à frente da janela
e ficar vendo a cidade de São Paulo gelada
e não entendendo porra nenhuma da minha vida

Então, nessa solidão estranha
e com o café esfriando por causa do vento que entra pela janela,
aqui, com essa musica tocando, bem aqui,
eu estou correndo mais uma vez para longe da corrente,
rezando, talvez para que dessa vez eu acerte este tiro,
para que eu consiga me soltar de ti,
para que... para que eu possa amar alguém,
alguém que não carregue seu nome,
nem seu olhar, muito menos suas ideias,
para que eu corra solto em uma direção
- ou sem direção alguma talvez -
mas o mais importante de tudo,
para que eu possa me prender a outra corrente qualquer,
me prender a alguém que não seja você.

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