Sinto o sangue que flui
de meu coração para a lua cravada no céu,
e minha visão que fica turva entre as luzes dos prédios
enquanto palpites sobre o fim da noite vagueiam
em meus pensamentos impuros
feito fantasmas em noites gélidas
tais como esta,
fantasmas estes que agarram e
cortam lembranças
e toda e qualquer esperança,
dilaceram
e ateiam fogo à feridas ainda expostas
como quem busca torturar
uma mente em pane
Sinto o sangue que flui
para analogias pobres de noites sem enfeites
analogias baratas sobre a tristeza e a
sensação incomoda que as vezes
colore o quadro de nossa vida
e corre feito
a velocidade de um piscar de olhos,
o piscar de olhos do garoto pobre,
que se agarra e segura à mãe
implorando para não se levado
ou não ser largado
de fronte ao mundo solitário e cruel
Sinto o sangue que flui
feito fumaça que se perde em noites densas
pouco antes de embaçar nossos olhos,
fumaça de vocabulários,
vocabulários cheios de palavras difíceis que não vi
saírem acentuadas de sua boca,
feito o acento circunflexo que acertou minha mente
de um jeito agudo e desajeitado
fazendo assim botar pra fora
todos esses versos bobos
e incoerentes
Sinto o sangue que flui
até a ponta de meus dedos e
por eles se estende nessas palavras
que feito parábolas passadas
se recusam a mentir
e falam tudo aquilo que o coração sente
ora, palavras são só palavras
mas se depositadas com sentimentos
elas passam a ter vida própria,
dias desses mesmo
encontrei na padaria
um poema que fiz mês passado
e ele disse estar muito bem,
engraçado,
acho que estou ficando louco
Mesmo louco eu ainda sinto o sangue que flui,
ele vem e volta,
a cada batida solitária
de meu coração de menino
que ainda se assusta com os fantasmas da vida
e chora com medos estranhos
resultados de parábolas bem pessoais
das quais,
eu não sei a tradução,
nem o segredo oculto
porque é demasiada ousadia
tentar entender a vida
com um coração quebrado
e de um gole só.
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