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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Pequena flor

Pequena flor
Na lapela do céu
É o sol nascendo
É a luz
Ardendo dentro do peito
Luz... Que reacende velhas questões
Girassol num carrossel de vítimas
Da nossa velha tribo
Com nossas grandes pinturas corporais
É demais
Demasiado e perfeito
O teu traço cada dia mais certo e decidido
Era melhor nunca ter crescido
Se envelhecemos ficamos
Piores do que poderíamos
Um dia ser
Por isso escrevo longas cartas
Enquanto eu me pergunto
Se você sente
O que eu sinto
Se eu nem sei se sinto
O que deveria sentir
Por isso mesmo as longas cartas
Terminam não terminadas
E nunca te mando
Pequena flor
Você se põe no horizonte
Que eu nunca vou alcançar
E eu não sei se faz isso
Pra me entreter
Ou me deixar escapar
Por entre as nuvens
Ou no meio das pedras
Nasce sempre
Pequena flor
E eu não te rego com minhas palavras
Ao menos não todo dia
Apenas rego de olhares
E se o meu pensamento for
Capaz de te molhar
Mas se preciso for
Tu nasce aqui dentro do peito
E com todo respeito
Me cresces
E eu adoeço
Se não sei suportar
De fato
O fato de que és
Pequena flor
E nunca mais
Nunca menos
Nunca mais nos abandonemos
No meio de uma floresta incerta
De certezas tão erradas
Quanto a soma das estrelas
Com as gotas do mar

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