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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Trovões celestiais iluminando o céu à noite toda.

Sonhei com você essa noite,
sabe seus cabelos estavam jogados sobre seu rosto,
tinha algo de assustador no seu olhar, ao me ver,
ao me fitar do alto daquela sacada, sonhei com você,
sonhei que via seu rosto e por pequenos instantes parece que
                       - pude acreditar de novo. -

Agora estou aqui, com essa cara de chato, neste quarto escuro
falando sozinho e escrevendo para ninguém ler,
me perguntando por que, por que sonhei justamente com você,
não quero pensar em você, às vezes desejo apagar seu rosto da minha
                                                                                           - memória.
é difícil, justamente porque quando sinto que estou conseguindo,
vêm você vestida em branco em um sonho, tão angelical, parece impossível...

Esses versos irregulares me lembram você, eles são tão irregulares quanto
                                                                                             - meu humor,
e todo mundo sabe que as vezes acordo com a pá virada,
é nesses dias que tudo parece um saco, até eu mesmo me enjoo,
minha voz e minha imperfeição arrancam de mim medonhas gargalhadas
                                                                                            - de sarcasmo,
esse sarcasmo é violento e diz que nunca mais vou conseguir amar,
se é que já amei... Olha você aqui de novo me lembrando.

São duas da manhã,
Me lembro que tenho uma cerveja na geladeira,
e talvez alguns comprimidos para dormir não façam tão mal assim,
maldito Thom Yorke, me faz sentir vontade de fugir,
de bater na sua porta agora, não importa mais que horas sejam...
                                                               - Me acho um ridículo.

Estou escrevendo um poema longo,
e ouvindo esse álbum do Radiohead que ninguém conhece,
me lembro do seu rosto iluminado pela luz da rua,
seus olhos e seus lábios... Por que faço isso comigo?

Já disse tantas vezes que te odeio à mim mesmo que até me esqueci
                                                                                  - se sou capaz,
e nem importa mais tanto assim se te odeio ou se te amo, não tenho escolha...
é um saco ter que aguentar seu nome surgindo assim às vezes, de repente,
como uma daquelas dores crônicas que carregamos pro restante da vida,
mas têm tanto tempo que isso acontece que já me acostumei,
acho que só precisava desabafar, dizer que me lembrar de você eu até
                                                                                            - suporto,
mas já não sei se aguentaria outro sonho, outro sonho com você ali,
tão perto e tão intocável, tão próxima à mim e tão distante,
escondida no meio dessa confusão que é meu inconsciente,
me perdoe se te vi naquela sacada e não chamei seu nome,
afinal, era só um sonho...

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