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terça-feira, 27 de maio de 2014

Delírio

Frio,
vagões pela manhã
com vagantes dentro,
fugitivos de alguma realidade,
eu ali, espremido entre nenhum cupido alado
e as moscas desgraçadas,
entre o gosto tóxico e o veneno diário
de poções que não me servem de nada,
pois pequenas doses jamais matam

Os trens dessa cidade são assustadoramente vazios,
todos ali dentro parecem manequins sem alma
e mesmo na hora de pico, todos são apenas rostos sem face,
do ambulante ao mago, da menina encantada de olhos de mel
ao vidente fantasiado para à festa de halloween:
vestido de capitalista.

Não há como saber, se por trás daqueles olhos
que poderiam consumir o mundo, aqueles negros olhos
radiantes, cheios de radioatividade, cheios de distrações
se por lá em seu fundo um dia a verdade seria dita,
são apenas máscaras por enquanto e elas ainda não dizem nada

Não há como relevar quem está ali,
e mesmo eu, sou apenas um fantoche na mente de alguém,
imaginando qual o segredo por trás da minha barba longa,
assim como tento imaginar a vida que todos ali podem levar,
somos apenas um ticket barato,
não há entrada garantida na vida de ninguém.

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