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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Alegria

Quando você voltar atrás
Nas tuas palavras
Talvez não haja pra onde voltar
E se você voltar atrás
Nas tuas ações
Nem mesmo mil desculpas irão apagar
Todos os erros
E essa velha ideia de compensação
A velha dúvida
Criada na dádiva
Banhada de lágrima
Enrolada em solidão
Quando você voltar atrás
Em tudo o que disse
Talvez não me encontre triste
A verdade é que sou alegre também
Mas minha alegria é perversa
E o meu riso se dá temperado em veneno
Que me escorre pelos cantos da boca
Tal qual escorre saliva quando alguém tem fome
E talvez a minha fome sacie
Quando eu devorar os teus olhares
A verdade é que sou alegre
Mas minha alegria é diferente
Da que eu tinha
Dois anos atrás
E o que será que existe
Depois da porta
Número dois?
Só ela está de pé
Depois que destruímos tudo
Segundo as tuas palavras
Em segundos
Com almas despedaçadas
E se você olhar pra trás
Verá as nossas versões
Os nossos verões
Congelados numa espécie
De nostalgia imaculada
E a alegria dessa água passada
Nunca mais será visitada
Em breve o museu de cera
Será fechado
E se eu já estou fechado
É só fachada
Não ligue pra minhas paredes
Olhe sempre em frente
Teus pés não tocarão mais
Meu chão
Mas se um dia você voltar atrás
Lembre-se da minha alegria
Que é diferente
E que se alimenta do caos
E da indecisão...

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