Fechei a boca com cuidado,
Cerrei os dentes,
E o mundo ainda está cheio,
Lotado de pessoas dormentes,
As dores mentem,
E você toca partes de músicas,
Mas não se toca que quando partes,
Fico de alma partida,
O mundo é cheio de selvagens,
Da selva de tijolos e concreto,
E com decreto eu procuro minha lei,
Eu sei o que você está pensando agora,
Que no fundo sou tão somente obsceno,
Mas a verdade é que eu enceno,
Mundo estranho,
Perdem muito tempo bebendo veneno dos outros,
E confirmando que vivemos uma comédia pagã,
A vida é o sonho de um garoto amarrado,
Sonhos são as formas de dar vida ao encontro marcado,
Pergunte ao fogo,
Pergunte ao ar,
Pergunte a fumaça antes de expirar,
Fechei a boca com cuidado,
Serrei as portas ao meio,
Se errei nas partes que me tocas,
Peço perdão sem receio,
Sei que bebo meu veneno sozinho,
Com duas pedras de gelo,
Ou diluído no vinho,
De onde eu venho não há drama,
Onde eu durmo só há a cama,
Mas já faz uma semana que eu fico sem dormir,
Fechei a boca com cuidado,
Abri os olhos,
Abre os olhos e vê bem,
Sorria para a foto,
Até ficar com as bochechas dormentes,
Se sentes dor, então por que mentes?
É um jogo velho,
Então eu sei todas as regras,
Joga fora o velho olhar sério,
Por que a vida é comédia pagã,
O riso é fácil,
Nas escolas,
Casas,
Ruas,
Nas mulheres,
Vivas,
Nuas,
A piada é que é ruim,
Nas pontes,
Sarjetas,
Nos homens,
Mortos,
Vestidos,
Você só pensa nos minutos já investidos,
Então por isso,
Não seja por isso,
Fechei bem a boca,
Lábios colados,
O mundo ao lado,
Boca de lobo,
Chapeuzinho vermelho,
O vermelho é o novo preto,
Eu luto pra por sangue em meu luto,
Mas é hora do recreio,
A vida é comédia pagã
E eu vim a passeio...
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