Páginas

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Reclamação cotidiana

Desligo a TV e me preparo...
Pra reclamar de mim,
Antes de dizer que a programação me aliena,
Vejo bem,
Que a grande lista de livros que eu não terminei de ler me condena
Antes mesmo de começar a reclamar desta sociedade podre,

Olho para o lado e observo a minha falta de vontade de mudar,
E percebo que é bem fácil reclamar do mundo agora,
Sentindo saudades de um tempo passado em que nem era nascido,
Do que fazer pra mim um mundo que quero,
Que eu espero e que seja desenvolvido,

Tão fácil encher o peito e gritar contra a corrupção,
Enquanto viro o rosto para não ver um mendigo,
Que me estende a mão,
Por que também eu acho simples, julgar todas as pessoas ao redor,
Baseado em preconceitos incutidos numa mente bem pior,

Eu ligo o rádio e a música me dá náusea,
Eu me preparo finalmente para escrever aos quatro cantos do meu quarto,
O quanto a mídia é nojenta e só vende porcaria,
E como as massas permitem
Que sua massa cinzenta seja substituída por mais e mais pornografia,
Quanta hipocrisia...

Preparo uma imensa lista de grandes autores
De quem só li pequenas frases em fragmentos por aí,
Por que é tão fácil dizer "faça" quando na verdade eu não fiz,
Enquanto isso, sentado na cama
Mais morto do que vivo
Por toda a semana,
Começo a reclamar do tédio e não levanto nem para receber o carteiro,
Que com certeza anda por aí e tem histórias pra contar de Janeiro a Janeiro,

E é tão fácil estar ausente da própria vida,
E reclamar de todo o mundo
Ouvindo alguma canção considerada de outro nível,
E lembrar de que a sociedade é desprezível
Enquanto esqueço de cuidar da minha vida,
Que é bem mais fácil e menor...

Nenhum comentário:

Postar um comentário