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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Limites

Aqui dessa estrada eu posso ver,
O nascer do sol à minha esquerda,
Mas não quero acordar,
E mesmo antes de uma curva eu vejo ele se por,
Uma vida mediana dessas pra entreter,
Ponho um disco pra girar em algum lugar,

E eu bem sei que não é um disco voador,
Ele só põe a música em seu giro,
E pra ela eu danço,
Sou dançarino, sou ator,
Num desses palcos desse mundo,
De cara com o público, perdido em tanto pudor

Às vezes sem limites,
Às vezes me limito a cem,
Milhas por hora, por dia,
Eu me limito a ir além,
Da música e da melodia,
Daquela prisão nossa de cada dia,

Ponho os meus discos em eterno retorno,
Num looping sem fim,
As músicas alcançam tudo ao redor,
E sei que atingem algo dentro de mim,
Nota por nota, imponho limites
Na minha revolta,

Cento e dez,
Ou trinta e cinco mil,
Eu já não ligo, eu me desligo,
Faço do mundo um lugar febril,
Das pedras faço brasas,
E me abraças num sonho infantil,

E me limitas nos teus braços,
Até que acordo com a corda no pescoço,
O pé esquerdo é o primeiro a tocar o chão,
Eu sou o vilão,
O vândalo e o bandido,
Da baderna que fiz em nosso coração,

Eu vou achar algum dia,
O limite para a liberdade,
Pois nunca fomos livres para ir e vir,
Os abutres com suas asas sobrevivem,
Das carcaças de esperança
Que largamos por aí

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