Não me dê soluções óbvias
Para o insolúvel,
Eu gosto do meu café puro,
Forte como as dores do povo
Leve como um aperto de mão,
E só então eu poderei ver futuro,
E de novo curar a aflição,
Pois você sabe,
Café com leite é mais tranquilo,
Mas tira um pouco da exatidão,
Leite puro é tão mais simples,
Na sacola eu trago um quilo de sensação
E enquanto tiro o peso eu escrevo sorrateiro
Num guardanapo barato
Uma mensagem pro coveiro
É um testamento,
Um teste de momento,
Uma mensagem que deixo a um terceiro
É um terceto sem eira nem beira,
Escrito de cabeceira, cabeça no travesseiro
Só pra ti, no caso de eu partir
Pois se eu parti foi muito cedo,
Antes mesmo do café do amanhã
Ainda assim eu peço que não me dê algo óbvio,
Pense bem nas soluções tão simples,
Num café tão puro e forte,
Se misturando ao sangue em minhas veias,
Tal qual o som que te rodeia
Ainda é tempo, faça-me uma doação
De vários tipos, várias cores de um mesmo grão
O mesmo guardanapo que eu guardei na minha roupa
Você usa agora pra limpar a tua boca,
Não leve a mal, não foi por mal,
Mas agora eu devo dar no pé,
Era tão puro e tão pequeno
Era tão bom o sentimento,
Que precisei escondê-lo numa borra de café
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